Rotina de solteiro, sem namorada e desempregado é assim: todo dia procurar o que fazer. E todo dia tem! Costumo dizer que na minha biblioteca particular existe a sessão de "Comprados e não-lidos" (quem souber a nova ou velha regra me diz se esse híven existe). Nos comprados e não-lidos tem a sub-sessão "ganhados e não-lidos".
O montante se acumulou desde os tempos que passei a comprar livros periodicamente e cresceu bastante quando comecei a trabalhar no Caderno 2 do Correio da Paraíba. É verdade que entre os que ganhei tem uma pá de indesejados.
Tem um emblemático dentre eles que tem como título algo como "Subsídios para a história do educandário de Pombal". Acho que é isso. Talvez seja o indesejado que eu mais tenha lido. Não consigo me resguardar da vontade de ler para amigos trechos maravilhosos das listas de alunos contidas naquele volume.
Então, voltando à rotina do meu contexto with no woman, no cry, no job, nor "bico", cada dia vejo, ouço, abro o que me apraz e me pergunto se isso é ruim. Ruim mesmo é estar sozinho e sem amigos. Nunca estou só no sentido absoluto. E como cantou um certo Garrido, "eu ganho o mundo sem sair do lugar".
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Me dá um dinheiro aí
O momento é favorável para ganhar dinheiro. Se você tem idade para estar trabalhando, saiba que, se você procurar com perseverança, vai encontrar um espaço no mercado de trabalho. Basta se despir de preconceitos, arregaçar as mangas e ir à luta.
É claro que para quem não tem as qualificações mínimas nada é facil. Mas digo sem medo de errar que com nível médio dá para se encontrar um lugarzinho com salário na casa dos R$ 700. Até mais eu diria. As pessoas estão com dinheiro para gastar, as empresas estão precisando de pessoas de bom caráter e dispostas (leia-se: não preguiçosas).
O problema que ainda não resolvemos é a desigualdade social. Ainda temos muitos analfabetos e pobres ao ponto de não acreditarem que há uma perspectiva. Pior que o cristianismo deturpado nos faz querer dar esmolas em vez de oferecer mais que isso. Em vez de se envolver de verdade e dar mais que uma mera esmola, mas um caminho que leve o necessitado a outros pastos.
Caros leitores, entendam isso: semáforos não são lugares adequados para compartilhar seu dinheiro. Se você quer fazer o bem, procure uma instituição séria e acompanhe a sua aplicação. Precisamos mudar o perfil dos jovens pobres. Não queremos "pseudo-malabaristas". Queremos estudantes e profissionais. Queremos que eles acreditem que a vida é mais que "dez centavos, tio".
É claro que para quem não tem as qualificações mínimas nada é facil. Mas digo sem medo de errar que com nível médio dá para se encontrar um lugarzinho com salário na casa dos R$ 700. Até mais eu diria. As pessoas estão com dinheiro para gastar, as empresas estão precisando de pessoas de bom caráter e dispostas (leia-se: não preguiçosas).
O problema que ainda não resolvemos é a desigualdade social. Ainda temos muitos analfabetos e pobres ao ponto de não acreditarem que há uma perspectiva. Pior que o cristianismo deturpado nos faz querer dar esmolas em vez de oferecer mais que isso. Em vez de se envolver de verdade e dar mais que uma mera esmola, mas um caminho que leve o necessitado a outros pastos.
Caros leitores, entendam isso: semáforos não são lugares adequados para compartilhar seu dinheiro. Se você quer fazer o bem, procure uma instituição séria e acompanhe a sua aplicação. Precisamos mudar o perfil dos jovens pobres. Não queremos "pseudo-malabaristas". Queremos estudantes e profissionais. Queremos que eles acreditem que a vida é mais que "dez centavos, tio".
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Escrever é um suplício
Era! Eu adoro escrever. Mas nem sempre foi assim. Lembro como se fosse ontem quando a professora de Laboratório de Jornalismo Impresso disse a mim e a meus colegas de turma que "jornalista que não gosta de ler está perdido". Eu repliquei no ato (pensando em minha pŕopria condição): "E que não gosta de escrever?". "Esse é uma tragédia grega!".
Lá estava eu descobrindo em pleno quarto período do curso de Jornalismo que não havia futuro para mim nas redações. Mas a profecia da minha ex-professora não se cumpriu. Descobri depois que gostava de me expressar, daí a fazê-lo com a escrita foi um pulo.
Hoje tenho certeza que ler é muito mais importante do que escrever. Ler te dá instrumentos para que se algum dia você quiser escrever, não encontre dificuldade. Corrigindo a docente eu diria que jornalista que não lê é uma tragédia grega, mas há salvação para o que não gosta de escrever.
Lá estava eu descobrindo em pleno quarto período do curso de Jornalismo que não havia futuro para mim nas redações. Mas a profecia da minha ex-professora não se cumpriu. Descobri depois que gostava de me expressar, daí a fazê-lo com a escrita foi um pulo.
Hoje tenho certeza que ler é muito mais importante do que escrever. Ler te dá instrumentos para que se algum dia você quiser escrever, não encontre dificuldade. Corrigindo a docente eu diria que jornalista que não lê é uma tragédia grega, mas há salvação para o que não gosta de escrever.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Vem pra Thiago do Shopping Tambiá!
Divirta-se indo para a Thiago do Shopping Tambiá. Lá é um lugar maravilhoso para quem teve problemas com algum produto que não serviu bem ter uma conversa hilariante com o gerente Nilton. Ele será carinhoso com você e no calor do diálogo lhe chamará de "meu filho". Eu não sou seu filho, sou seu cliente! (...) Para o senhor que não sabe, "meu filho" é um modo carinhoso. É mesmo?
Há anos só compro tênis Rainha. Nunca tive problema. O último que comprei me apertava o pé direito. Será que meu pé direito cresceu? Há mais de uma semana levei o tênis ao local "supracitado" (jurisdiquês é bonito, não é?), mas ninguém me ligou para dar alguma satisfação sobre minha queixa. Prometer, prometeram, mas ligar, que é bom, nada. Fui lá hoje e...
...O gerente Nilton e o supervisor de vendas Ricardo me disseram que o fabricante tem 30 dias para analisar e dar um parecer para a loja. O curioso é que o consumidor também tem 30 dias para tomar as medidas cabíveis amparadas pelo seu Código de Defesa.
Não seria tão mais simples ter me tratado bem e reconhecido o erro. Irritado, apenas influenciarei as pessoas a procurarem outra Thiago (os preços ainda são os melhores). Vocês que, com competência, estão acima dos ótimos vendedores, me digam: quem perde nesta briga?
Há anos só compro tênis Rainha. Nunca tive problema. O último que comprei me apertava o pé direito. Será que meu pé direito cresceu? Há mais de uma semana levei o tênis ao local "supracitado" (jurisdiquês é bonito, não é?), mas ninguém me ligou para dar alguma satisfação sobre minha queixa. Prometer, prometeram, mas ligar, que é bom, nada. Fui lá hoje e...
...O gerente Nilton e o supervisor de vendas Ricardo me disseram que o fabricante tem 30 dias para analisar e dar um parecer para a loja. O curioso é que o consumidor também tem 30 dias para tomar as medidas cabíveis amparadas pelo seu Código de Defesa.
Não seria tão mais simples ter me tratado bem e reconhecido o erro. Irritado, apenas influenciarei as pessoas a procurarem outra Thiago (os preços ainda são os melhores). Vocês que, com competência, estão acima dos ótimos vendedores, me digam: quem perde nesta briga?
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Eu nasci ontem!
Todo mundo que olha para a minha cara tem certeza que eu nasci ontem. Só pode ser! Fui três vezes até a Energisa na tentativa inglória de religar a luz no apartamento em que estou morando.
Veja a situação: o apartamento foi comprado por meu pai, ainda na planta. Esteve alugado a uma senhora que deixou um débito enorme em aluguéis atrasados e outros R$ 441 em dívida com a Energisa. Como a bobinha da nossa concessionária de energia elétrica não quer perder um tostão, colocou Breninho - esse que vos escreve - para pagar a dívida anterior. A Energisa é tão bondosa que até parcela! Obrigadíssimo!
É preciso que se diga: por causa de desmandes e comodismo o Brasil não avança a passos mais largos. Eu posso até pagar isso que me pedem, mas vou recorrer para que receba bem mais como recompensa. Dez dias se passaram desde que me mudei e quando retornar à Energisa, será minha quarta tentativa. Antes de passar por lá, darei uma passadinha pela Curadoria do Consumidor. Energisa, me aguarde!
Veja a situação: o apartamento foi comprado por meu pai, ainda na planta. Esteve alugado a uma senhora que deixou um débito enorme em aluguéis atrasados e outros R$ 441 em dívida com a Energisa. Como a bobinha da nossa concessionária de energia elétrica não quer perder um tostão, colocou Breninho - esse que vos escreve - para pagar a dívida anterior. A Energisa é tão bondosa que até parcela! Obrigadíssimo!
É preciso que se diga: por causa de desmandes e comodismo o Brasil não avança a passos mais largos. Eu posso até pagar isso que me pedem, mas vou recorrer para que receba bem mais como recompensa. Dez dias se passaram desde que me mudei e quando retornar à Energisa, será minha quarta tentativa. Antes de passar por lá, darei uma passadinha pela Curadoria do Consumidor. Energisa, me aguarde!
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Básico, mas o dono é completo
Estou vendendo um filho. Epa! Vender filho é crime! Mas filho de aço, borracha e otras cositas más, pode! O nome dele é Gol prata, nasceu em 2004 e sempre ficou sob a minha conduta. Criei sozinho, praticamente sem a ajuda da mãe que me deu o recém-nascido.
Aprendeu a falar rápido e hoje está com cinco anos e meio, mas ainda anda com um suporte de rodinhas. Para não cair, uso quatro. Meu filho tem problema de apetite, come pouco para tanta energia que gasta. Parece até que a bateria do menino é Duracell!
Obediente, atende no primeiro chamado. Responde com doçura, mas grita se o apertam demais. Ele adora correr, mas com segurança. Não deixo ele voando por aí. Sou um pai atencioso. Dou banho, cuido e ele sempre dorme em paz.
Protejo meu filho das farras. Acho ele tão delicado para estar sujeito a este mundo tenebroso. Meu menino é lindo! Ele está muito feliz com o som que ganhou. Dei um a ele com MP3 e tudo. Agora vive cantando. As músicas! Nada mais.
Mas os filhos são para o mundo e não para os pais. Por isso, decidi vender meu filho que é básico, mas tem um dono completo! Peço apenas R$ 18 mil. O que são R$ 18 mil, quando a recompensa é uma criança como esta?
Aprendeu a falar rápido e hoje está com cinco anos e meio, mas ainda anda com um suporte de rodinhas. Para não cair, uso quatro. Meu filho tem problema de apetite, come pouco para tanta energia que gasta. Parece até que a bateria do menino é Duracell!
Obediente, atende no primeiro chamado. Responde com doçura, mas grita se o apertam demais. Ele adora correr, mas com segurança. Não deixo ele voando por aí. Sou um pai atencioso. Dou banho, cuido e ele sempre dorme em paz.
Protejo meu filho das farras. Acho ele tão delicado para estar sujeito a este mundo tenebroso. Meu menino é lindo! Ele está muito feliz com o som que ganhou. Dei um a ele com MP3 e tudo. Agora vive cantando. As músicas! Nada mais.
Mas os filhos são para o mundo e não para os pais. Por isso, decidi vender meu filho que é básico, mas tem um dono completo! Peço apenas R$ 18 mil. O que são R$ 18 mil, quando a recompensa é uma criança como esta?
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Lula, você morreu
Querido presidente,
Lembro como se fosse ontem quando nos encontramos em março de 2000, num voo que partiu de São Paulo com destino a Natal. Eu estudante de jornalismo e o senhor presidente de honra do PT. Com muita educação e um pouco de ousadia, me apresentei e pedi que o senhor concedesse uma entrevista para o site da minha turma, o Redação 99.1. O senhor foi extremamente solícito, respondeu minhas perguntas e me surpreendeu com a qualidade das respostas.
Daquele dia em diante, eu, que já o admirava, fiquei ainda mais impressionado com sua inteligência. Pobre daqueles que o chamavam de analfabeto. Ignorantes eram (e são) os que lhe julgavam (julgam) sem o conhecer.
Com esperança em um Brasil diferente votei no senhor. Colaborei com sua eleição e reeleição. O senhor é um estadista e para sempre será lembrado na história de nosso País.
A esta altura o senhor deve estar se perguntando porque um título tão agressivo para uma carta tão elogiosa. Explico: em nome da governabilidade e das próximas eleições o senhor cruzou o meu limite do aceitável. O que o senhor permitiu no caso José Sarney é completamente vergonhoso. Gostaria de dizer no título "Lula, você morreu de vergonha", mas não corresponderia à verdade.
Imagino que a mosca azul, este terrível parasita, tenha o contaminado. Tenha o ferido com doença e doença de morte. Eu estou não apenas decepcionado com o senhor, mas comigo mesmo enquanto cidadão. Ajudei a construir um projeto que se propunha a mudar os rumos do Brasil. É verdade que avançamos. Palmas para o senhor. Mas como disse, o senhor cruzou o meu limite. Não consigo mais acreditar em políticos bons. Não existem. Talvez Pedro Simon seja uma anomalia neste sistema.
Às vezes tenho vontade de ser político. Só para saber até onde eles me permitiriam falar. Mas só de pensar que é preciso me filiar a um partido ou fundar um nanico (tenho um preconceito terrível com partidos nanicos) para realizar esta vontade, a deixo logo de lado. Lula, você não é nenhum messias, mas, por favor, ressuscite.
Lembro como se fosse ontem quando nos encontramos em março de 2000, num voo que partiu de São Paulo com destino a Natal. Eu estudante de jornalismo e o senhor presidente de honra do PT. Com muita educação e um pouco de ousadia, me apresentei e pedi que o senhor concedesse uma entrevista para o site da minha turma, o Redação 99.1. O senhor foi extremamente solícito, respondeu minhas perguntas e me surpreendeu com a qualidade das respostas.
Daquele dia em diante, eu, que já o admirava, fiquei ainda mais impressionado com sua inteligência. Pobre daqueles que o chamavam de analfabeto. Ignorantes eram (e são) os que lhe julgavam (julgam) sem o conhecer.
Com esperança em um Brasil diferente votei no senhor. Colaborei com sua eleição e reeleição. O senhor é um estadista e para sempre será lembrado na história de nosso País.
A esta altura o senhor deve estar se perguntando porque um título tão agressivo para uma carta tão elogiosa. Explico: em nome da governabilidade e das próximas eleições o senhor cruzou o meu limite do aceitável. O que o senhor permitiu no caso José Sarney é completamente vergonhoso. Gostaria de dizer no título "Lula, você morreu de vergonha", mas não corresponderia à verdade.
Imagino que a mosca azul, este terrível parasita, tenha o contaminado. Tenha o ferido com doença e doença de morte. Eu estou não apenas decepcionado com o senhor, mas comigo mesmo enquanto cidadão. Ajudei a construir um projeto que se propunha a mudar os rumos do Brasil. É verdade que avançamos. Palmas para o senhor. Mas como disse, o senhor cruzou o meu limite. Não consigo mais acreditar em políticos bons. Não existem. Talvez Pedro Simon seja uma anomalia neste sistema.
Às vezes tenho vontade de ser político. Só para saber até onde eles me permitiriam falar. Mas só de pensar que é preciso me filiar a um partido ou fundar um nanico (tenho um preconceito terrível com partidos nanicos) para realizar esta vontade, a deixo logo de lado. Lula, você não é nenhum messias, mas, por favor, ressuscite.
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